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Design06 de outubro de 20265 min de leitura

Por que o design é estratégico para o seu negócio, e não um enfeite?

Design é a forma como a sua empresa é entendida antes de dizer qualquer palavra. Ele organiza a informação, guia o olhar e transmite confiança. Ferramentas

Por Gedeon Antunes

Por que o design é estratégico para o seu negócio, e não um enfeite?

Design é a forma como a sua empresa é entendida antes de dizer qualquer palavra. Ele organiza a informação, guia o olhar e transmite confiança. Ferramentas como o Canva facilitaram a execução, mas não substituem os fundamentos que vêm da Bauhaus: hierarquia, contraste, legibilidade e consistência. É isso que diferencia uma marca no mercado.

Por que tanta empresa ainda trata design como detalhe?

Porque o design bem feito é discreto. Quando funciona, ninguém percebe: a pessoa simplesmente entende, confia e compra. Quando falha, o cliente também não sabe explicar o motivo, só sente que algo parece amador e vai embora.

É daí que nasce a velha lenda do "sobrinho que mexe com design". A peça sai rápido e barata, mas sem critério. O problema não é a pessoa, é a ideia de que design se resume a deixar algo bonito. Design é decidir o que o cliente precisa ver primeiro, o que pode ficar para depois e como tudo isso reforça a mesma marca.

De onde vem o design como disciplina?

Boa parte do design que usamos hoje nasceu na Bauhaus, escola fundada por Walter Gropius em 1919, em Weimar, na Alemanha. Ela passou por Dessau e Berlim e foi fechada em 1933, sob pressão do regime nazista. Existiu por apenas 14 anos, mas deixou um legado que o Goethe-Institut descreve como inquestionável.

A proposta era unir arte, ofício e indústria. Segundo a Infopédia, o espírito da escola era que todo objeto deveria ser criado com uma forma elegante submetida à função. Tipografia limpa, grid, formas geométricas e cores com propósito saíram dali para o mundo, e continuam nos sites, embalagens e marcas que você vê hoje.

Quais fundamentos de design continuam valendo?

As ferramentas mudaram muito em cem anos. Os fundamentos, quase nada.

O que não mudou desde a Bauhaus. Elaboração: Arcany.

  1. Hierarquia: o olho precisa saber por onde começar e o que vem depois. Título, informação principal e chamada não podem ter o mesmo peso.

  2. Contraste: texto sem contraste não é lido. As diretrizes de acessibilidade do W3C (WCAG 2.1) pedem contraste mínimo de 4,5:1 entre texto e fundo, ou 3:1 para textos grandes.

  3. Legibilidade: fonte, tamanho, entrelinha e comprimento de linha escolhidos para a leitura, não para o efeito.

  4. Grid e alinhamento: elementos alinhados transmitem ordem, e ordem transmite cuidado.

  5. Consistência: a mesma marca, com as mesmas cores, fontes e tom, em cada ponto de contato.

  6. Função: a forma serve ao uso. Bonito, em design, é o que funciona para quem vê.

O Canva resolve o design da empresa?

O Canva e ferramentas parecidas resolveram um problema real: a execução ficou rápida e acessível. Isso é bom. Mas a ferramenta não decide qual informação vem primeiro, qual contraste é legível no celular ou se a peça de hoje conversa com a de ontem.

Há ainda um efeito colateral. Quando muitas empresas usam os mesmos modelos prontos, todas passam a se parecer. O modelo resolve a pressa, mas apaga a diferença. O caminho mais inteligente é usar a ferramenta a favor da marca: com um brand kit configurado, modelos próprios criados por um designer e regras claras de uso.

Quanto o design influencia a percepção do cliente?

Muito, e muito rápido. Em estudo publicado em 2006 e noticiado pela revista Nature, a pesquisadora Gitte Lindgaard, da Carleton University, mostrou que as pessoas formam uma impressão sobre o apelo visual de um site em cerca de 50 milissegundos. E essa primeira impressão tende a se manter, influenciando como o restante da experiência é julgado.

Na prática, o design responde perguntas que o cliente nem formula: esta empresa é séria? É do meu tamanho? Cuida dos detalhes? Se o site, a proposta ou o post parecem descuidados, o cliente presume que a entrega também será.

Como o design gera diferenciação e valor para a marca?

A McKinsey acompanhou por cinco anos 300 empresas de capital aberto e criou um índice para medir a força de design de cada uma. As empresas no quartil superior do índice tiveram crescimento de receita 32 pontos percentuais maior e retorno ao acionista 56 pontos percentuais maior do que as concorrentes no período.

O estudo deixa um recado importante: o resultado não veio de contratar um designer isolado. Veio de tratar design como parte da gestão, medido com o mesmo rigor de receita e custo e presente em produto, serviço e comunicação. É esse design integrado que faz uma marca ser reconhecida, valorizada e escolhida mesmo quando não é a mais barata.

Como aplicar design de forma estratégica na sua empresa?

  1. Comece pela marca: identidade visual e brand book definem as regras que todo o resto vai seguir.

  2. Revise o que o cliente mais vê: site, perfil no Instagram, proposta comercial e embalagem costumam ser os primeiros pontos de contato.

  3. Teste legibilidade e contraste: abra suas peças no celular, no sol e em tela pequena. Se cansa ler, o cliente desiste.

  4. Crie um sistema, não peças soltas: modelos próprios e componentes reutilizáveis garantem consistência e velocidade.

  5. Meça o efeito: taxa de conversão do site, resposta às propostas e reconhecimento da marca mostram se o design está trabalhando.

Como a Arcany trabalha Design e Vídeo?

Na Arcany, Design e Vídeo é uma frente mensal que cuida das peças do dia a dia com o mesmo rigor de um projeto de marca. Criamos peças gráficas, digitais e de produto, vídeos para as redes sociais, criativos em vídeo e estático para mídia, UI/UX de landing pages e newsletters e comunicação integrada. Quando a base ainda não existe, a frente de Branding define a identidade e o brand book que o design vai seguir.

Quer saber o que o design da sua empresa está comunicando hoje? Agende uma conversa gratuita com um especialista da Arcany.

Fontes

  1. Goethe-Institut. 100 anos da Bauhaus. https://www.goethe.de/prj/hum/pt/dos/bau.html

  2. Infopédia (Porto Editora). Bauhaus. https://www.infopedia.pt/$bauhaus

  3. Nature. Web users judge sites in the blink of an eye, sobre Lindgaard, G. et al., Behaviour and Information Technology, 2006. https://www.nature.com/news/2006/060109/full/news060109-13.html

  4. W3C. Web Content Accessibility Guidelines (WCAG) 2.1, critério 1.4.3, Contraste mínimo. https://www.w3.org/TR/WCAG21/#contrast-minimum

  5. McKinsey & Company. The business value of design, 2018. https://www.mckinsey.com/capabilities/tech-and-ai/our-insights/the-business-value-of-design

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